Bahia IV

Costa do Dendê

Segunda, 13/Julho/16

Almocei e passei algumas mensagens para a galera de Algodões, contatos estes que o Mestre Cabello havia me passado. Depois conversei com um pescador para fazer a travessia do Rio, ele me cobrou R$ 10,00. O trajeto de Itacaré a Algodões foi pela beira da Praia. A maré estava baixa e aproveitei para pedalar, o vento sul ajudou na pedalada e somente em poucos trechos peguei areia muito mole.  Fiz outra travessia em um córrego, tive que tirar toda bagagem da bike e passar uma coisa de cada vez, pois quando passei a água bateu na altura do meu peito.

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Cheguei em algodões por volta das 15:00hs, tomei um banho num chuveiro que tinha em um quiosque e aproveitei para lavar a bike que ficou repleta de areia. Recebi mensagem do Bruno da Barba dizendo que já estava me esperando. Então fui até a casa dele. Nos apresentamos, conversamos sobre a viagem e sobre a capoeira. Ele me ofereceu um quarto para ficar e aproveitei para descansar. quando chegou final de tarde, falei a ele que tinha recebido retorno do professor Diodo e que poderia ter aula no Barracão de Algodões, porém o Diogo não iria poder estar presente. Até tentei ir,  mas o tempo estava chuvoso, com ventos forte, correndo o risco de chegar lá e não ter ninguém, pois o espaço é aberto. Eu e Bruno passamos a noite tocamos berimbau, cantando e batemos um papo bacana. Marcamos de fazer um treino ao acordar e fomos dormir.

Terça, 14/Julho/16

Rolou o treino no barracão na parte da manhã, fizemos algumas sequências e jogamos uma capoeira.

Bruno da BarbaIMG_20160615_211148

Depois do treino, tomei um banho, me despedi de Bruno e segui para Barra Grande. A estrada estava com muito barro, devido a passagem da patrola. Voltei e fui conferir como estava na praia, mas a maré estava cheia e não seria uma boa ideia. Então voltei mais uma vez e corri o risco de pegar a estrada de chão. No começo rodou bem, mas um pouco mais para frente a lama tomou conta das rodas ao ponto de travá-las. Muitas vezes tive que descer da bike para empurrar e tirar a lama das rodas.

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FarolIMG_20160614_160939285

Peguei uma chuva forte antes de Barra Grande e quando cheguei estava muito molhado e tomado pela lama. Estava sem contato, pois ali não tinha sinal de celular. Fui perguntando a todos sobre a casa de Diogo, mas não consegui a informação certa. Foi ai que tive que ir até a praia para tentar contato. Quando cheguei o sinal apareceu e logo recebi o retorno do Diogo, retornei a ele e conversamos. Já estava noite e fui ao encontro do Prof Diogo, ele já estava me esperando na frente da casa, me cumprimentou e convidou-me para entrar. Falamos sobre meu projeto e ele me contou sobre a capoeira local. Aproveitei para lavar algumas roupas e verificar todo meu material, pois as bolsas ficaram encharcadas. Jantamos e fomos descansar.

Quarta, 15/Julho/16

Acordei e logo fui organizar minhas bolsas e lavar a bike. O dia estava bom e a limpeza foi geral. Depois eu e Diogo fizemos um treino na varanda. Jogo de dentro sobe daqui, Jogo de fora desce pra cá… o jogo estava animado e numa troca de base o calcanhar sobrou em meu nariz. Verteu um pouco de suor vermelho, mas não quebro. Botamos um gelo e ficou de boa. Terminei de arrumar a bagunça, saímos e deixei a bike na casa. Diogo foi para Camamu e eu fui almoçar na praia e dar uma volta para conhecer melhor o lugar.

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No final de tarde passei na padaria e voltei para casa do Diogo, ele já estava me esperando. Tomamos um café e fomos pegar um treino com um capoeira dali da Barra Grande. Estivemos no lugar, mas neste dia não teve aula, mas Diogo, seu filho e eu, fizemos uma capoeiragem. Vadiagem na certa.

Prof Diogo, seu Filho e SidIMG_20160615_211129

Voltamos para casa, arrumei minhas coisas para viajar para o outro dia. Abri a barraca e ela estava muito suja, estão resolvi abrir ela para lavara no outro dia cedo e fui dormir.

Quinta, 16/Julho/16

Cedo já procurei lavar a barraca, estender para secar e fui finalizando a organização das bolsas. o Diogo saiu na frente, pois precisava trabalhar. Finalmente organizei tudo, sai e passei no posto onde Diogo trabalha como dentista. Agradeci a hospedagem e se despedimos. Valeu Diogo pela hospedagem e capoeiragem, forte axé meu irmão!

Depois peguei um barco que custou R$ 30,00 para atravessar o Rio Orojo para chegar em Camamu

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Cheguei em Camamu e fui almoçar em um restaurante próximo ao porto, para depois seguir a viagem.

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Cheguei em Ituberá por volta das 15:00hs, perguntei ao um taxista sobre uma pousada, ele me indicou uma próximo ao canal do Rio Serinhaém, mas o preço tava alto, depois fui próximo a Rodoviária e consegui por R$ 30,00.

Cachoeira da Praça da BandeiraIMG_20160616_162358265

Passei mensagem a um colega da capoeira,  Rui Beriba, mas ele só conseguiu responder no outro dia. Pena pois fiquei sabendo que neste dia, teve um boa roda, pois estavam finalizando os trabalhos do semestre. Pela noite, dei uma volta na cidade, passei pelo centro e fui jantar próximo a Igreja Nossa Senhora da Conceição. Voltei para a pousada e fui dormir.

Sexta 17/Julho/16

Sai da pousada e peguei a estrada para Valença. O vento estava soprando nordeste, mas não muito forte. A estrada tava boa e o sol entre nuvens. Neste trecho, percebi que muitas famílias colocam cacau para secar na beira do asfalto. Passei pelos município de Nilo Peçanha e Taperoá.

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Tem que ter dendê…IMG_20160617_105549715

Ponte sobre o Rio VermelhoIMG_20160617_111514431

Cheguei em Valença perto do meio dia e fui almoçar em um restante logo na entrada da cidade. Neste momento recebi o retorno do Rui Beriba. Me perguntou onde estava e me indicou visitar os Mestres Nelson e Jorge Cara Dura. Disse que poderia encontrá-los na Associação Atlética de Valença, então fui até lá. Ao chegar encontrei o Mestre Jorge Cara Dura, me apresentei e conversamos. Ele me convidou para participar da festa junina que eles iriam fazer no final do dia, foi quando Mestre Nelson apareceu, nos apresentamos e conversamos um pouco. Depois sai para conhecer a cidade e disse que voltaria mais tarde. Dei um rolê pelo centro e subi no alto da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus.

Vista do Alto da Igreja Sagrado Coração de Jesus – Valença IMG-20160617-WA0007

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Após descansar no alto da Igreja, passei em uma casa e pedi a uma moça se poderia me lavar no tanque, ela disse que poderia encher o balde e tomar banho em um banheiro que estava desativado nos fundos da casa e foi o que fiz, rolou banho de balde!  Dali desci a ladeira e fui em direção a Associação curtir a festa Junina conheci CM Pety, Mestre Cabelo de Fogo, e Mestre. A festa junina foi bem bacana. Rolou uma roda e joguei com os mestres, Nelson, Jorge Cara dura, Cabelo de Fogo e CM Pety.

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Contra Mestre Pety e Mestre

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Mestre Jorge Cara DuraIMG_20160621_213549

Mestre Cabelo de FogoIMG_20160621_213532

Depois de curtimos a festa, CM Pety me convidou para dormir em sua casa. Saímos e passamos em um Barzinho onde rolava um forro universitário. Ficamos ali por algum tempo e depois fomos descasar.

Sabado 18/Julho/16

Eu e Pety tomamos um café pela manhã, conversamos um pouco sobre sua história da capoeira também retratei alguns momentos da minha viagem. Me despedi e peguei a estrada sentido Guaibim. Valeu CM Pety pela hospedagem e Parceria!

Trevo acesso a praia de GuaibimIMG_20160618_105247805

Cheguei na praia próximo do meio dia. Na rua perguntei a um senhor sobre um bom lugar para ficar e pescar, ele me deu a dica de ir para o lado esquerdo, então fui. Almocei em um restaurante que fica na avenida principal da praia e paguei 15 reais. Depois fui descansar na beira da praia, o vento estava forte então fui para atrás de um quiosque. Fiquei ali até a noite, montei minha barraca e preparei uma janta. Nisso chegou um senhor catador de latinha, estava todo encolhido querendo um lugarzinho para dormir. Perguntei seu nome e ele disse: José Pinto Nascimento. Logo ofereci a ele um lugar bacana, protegido do vento e ofereci um cafezinho com pão e bolacha. Pegamos a conversar e ele me contou sobre sua experiência de Capoeira. Me contou que foi na Academia de Mestre Bimba e quando chegou para treinar, o mestre pediu para ele jogar com um menino. Ele tomou uma cacetada do menino que saiu dizendo para o mestre que não voltaria mais. Rimos e conversamos e muito depois fomos descansar.

Domingo 19/Julho/16

Durante a noite, alguns jovens atolaram o carro na areia, estava chovendo e a bagunça foi grande, isso acabou fazendo com que eu perdesse o sono. Demorei a voltar a dormir, mas o sono bateu. Acordei e vi que o Senhor já tinha ido, tomei café e fui tomar um banho de mar. Chegou uma moça e abriu a porta do quiosque e fui conversar com ela. Disse que era funcionária e que não abririam naquele dia. Falou também que eu poderia ficar ali, sem problemas. Depois preparei o molinete para pescar, pois tinha conseguido uma isca artificial. Entrei no mar e fiquei em torno de uma hora, mas não consegui pegar nada. Fui almoçar em um outro restaurante e a comida era bem melhor do que o restaurante do dia anterior e o preço foi o mesmo.

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Voltei para a base e fui descansar na barraca. Estava já em transe, quando ouvi um barulho bem próximo a barraca, a abri rapidamente e vi que tinha um rapaz puxando minha bike, mas ela estava travada. Logo gritei e perguntei “qualé?”! Ele disse que ali era o quiosque do tio dele, e se eu não saísse ele iria chamar a polícia, blá, blá, blá!!! Levantei e sai da barraca e falei a ele que já tinha pedido autorização a uma moça que cedo teve por ali. Ele ficou falando com alguém no celular ou disfarçando que estava falando com alguém e desligou e disse que tava tudo certo. Quando cheguei perto vi que ele tava na cachaça e venho me pedir dinheiro. Disse a ele que não tinha, estava viajando sem dinheiro e que até mesmo estava precisando. Ele então ficou falando mais um pouco e saiu pelo escanteio. Fiquei já preocupado, pois aquele sujeito poderia voltar a qualquer momento ou até mesmo a noite. Então coloquei a bike dentro da barraca, preparei algumas armadilhas e fiquei bem preparado para qualquer situação. Fiquei ali escrevendo até o final do dia. Ao escurecer o Sr apareceu novamente, comemos e conversamos, gravei algumas de suas aventuras. Contou sobre sua família e sobre o lampião e Maria Bonita. Depois fomos dormir. Ele disse que estava com frio, pois o vento estava forte. Entreguei o meu cobertor a ele, o qual me agradeceu muito.

Segunda, 20/Julho/16

O dia amanheceu com uma chuva fina, tomei um banho de mar e preparei um café para tomar com o Sr José. Arrumei tudo e sai sentido Nazaré. Não quis ir pela beira da praia devido ao mau tempo e também porque iria depender de conseguir um pescador para fazer a travessia para Cacha Pregos. No trajeto peguei uma chuva fina logo no inicio e depois já próximo a Nazaré uma chuva mais intensa.

Monumento de Netuno – GuaibimIMG_20160620_075957963_HDR

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